INFECÇÃO PELO PAPILOMAVIRUS HUMANO1 (HPV)
As Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) estão
entre os problemas de saúde pública mais comuns em
todo o mundo. Nos países industrializados ocorre um novo
caso de DST em cada 100 pessoas por ano, e nos países em
desenvolvimento as DST estão entre as 5 principais causas
de procura por serviços de saúde (OMS-1990).
Nos últimos anos, provavelmente devido a alta transcendência
da aids, o trabalho com as outras DST, doenças que facilitam
a transmissão do HIV, passou a ter redobrada importância,
principalmente no que se refere à vigilância epidemiológica,
ao treinamento de profissionais para o atendimento adequado, e à
disponibilidade e controle de medicamentos.
Levando-se em conta a alta magnitude estimada das DST em nosso meio,
sua transcendência, não somente pelas graves conseqüências
para a população, mas também pela sua interação
com o HIV, a existência de tecnologia apropriada para seu
controle e a possibilidade de êxito com o desenvolvimento
de atividades específicas, a CN-DST/AIDS se propõe,
com o apoio e participação de estados, municípios,
organizações não governamentais e demais instituições
envolvidas, a retomar o controle das DST como seu objetivo prioritário.
O CONTROLE DAS DST NO BRASIL - INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, principalmente após o agravamento
da epidemia de aids, as DST readquiriram importância como
problemas de saúde pública. Entretanto, alguns problemas
têm sido percebidos no contexto da atenção às
DST em nosso País:
são
escassos os dados epidemiológicos relativos às DST;
destas apenas a aids e a sífilis congênita são
de notificação compulsória. Raros são
os serviços onde a notificação é realizada
de forma sistemática;
os
portadores de DST continuam sendo discriminados nos vários
níveis do sistema de saúde. O atendimento é
muitas vezes inadequado, resultando em segregação
e exposição a situações de constrangimento.
Tal se dá, por exemplo, quando os pacientes têm que
expor seus problemas em locais sem privacidade ou a funcionários
despreparados que, muitas vezes, demonstram seus próprios
preconceitos ao emitirem juízos de valor. Essas situações
ferem a confidencialidade, discriminam as pessoas com DST e contribuem
para afastá-las dos serviços de saúde;
a
irregularidade na disponibilização de medicamentos
específicos é talvez a principal causa de afastamento
dos indivíduos com DST dos serviços de saúde.
Isso ocorre por provisão insuficiente ou pelo uso para
tratamento de outras enfermidades;
para
muitas das DST, as técnicas laboratoriais existentes não
apresentam a sensibilidade e/ou a especificidade satisfatórias.
Pouquíssimas unidades são capazes de oferecer resultados
de testes conclusivos no momento da consulta. Soma-se a isso o
fato de que o sistema público de saúde no Brasil
apresenta reduzidas condições para a realização
dos testes e freqüentemente os técnicos responsáveis
estão desmotivados e/ou despreparados.
A conseqüência
mais evidente dessa situação de baixa resolutividade
dos serviços é a busca de atendimento em locais nos
quais não seja necessário se expor, nem esperar em
longas filas, ou seja: as farmácias comerciais.
AS DST COMO PRIORIDADE
Por que as DST devem ser priorizadas? São quatro os critérios
para a priorização de agravos em saúde pública:
magnitude, transcendência, vulnerabilidade e factibilidade.
Magnitude:
embora
os poucos dados epidemiológicos existentes não se
prestem a fazer inferências para o País como um todo,
ao menos permitem, quando conjugados às informações
geradas em outros países, a realização de
estimativas que concluem pela elevada freqüência das
DST em nosso país. Isto, associado ao alto índice
de automedicação, torna o problema ainda maior,
já que muitos dos casos não recebem a orientação
e tratamento adequados, ficando sub-clínicos, permanecendo
transmissores e mantendo-se como os elos fundamentais na cadeia
de transmissão das doenças.
Transcendência:
as
DST são o principal fator facilitador da transmissão
sexual do HIV;
algumas
delas, quando não diagnosticadas e tratadas a tempo, podem
evoluir para complicações graves e até o
óbito;
algumas
DST, durante a gestação, podem ser transmitidas
ao feto, causando-lhe importantes lesões ou mesmo provocando
a interrupção espontânea da gravidez;
as
DST podem causar grande impacto psicológico em seus portadores;
as
DST causam também grande impacto social, que se traduz
em custos indiretos para a economia do País e que, somados
aos enormes custos diretos decorrentes das internações
e procedimentos necessários para o tratamento de suas complicações,
elevam dramaticamente esses custos totais.
Vulnerabilidade:
as
DST, por suas características epidemiológicas, são
agravos vulneráveis a ações de prevenção
primária, como por exemplo a utilização de
preservativos, de forma adequada, em todas as relações
sexuais. Além disso, com exceção das DST
causadas por vírus, existem tratamentos eficazes para todas
elas; portanto, à medida que se consiga conscientizar os
pacientes da necessidade de procurar rapidamente um serviço
de saúde para tratar-se adequadamente e a seus parceiros
sexuais, se logrará, a curto prazo, romper a cadeia de
transmissão dessas doenças e consequentemente da
infecção pelo HIV.
Factibilidade:
o
controle das DST é possível, desde que existam bons
programas preventivos e uma rede de serviços básicos
resolutivos, ou seja, unidades de saúde acessíveis
para pronto atendimento, com profissionais preparados, não
só para o diagnóstico e tratamento, mas também
para o adequado acolhimento e aconselhamento dos portadores de
DST e de seus parceiros sexuais, e que tenham a garantia de um
fluxo contínuo de medicamentos e preservativos.
PRINCÍPIOS
PARA O CONTROLE
Os princípios básicos para o controle das DST, como
em qualquer processo de controle de epidemias, são os seguintes:
interromper
a cadeia de transmissão: atuando objetivamente nos "elos"
que formam essa corrente, ou seja, detectando precocemente os
casos, tratando-os, e a seus parceiros, adequada e oportunamente.
prevenir novas ocorrências: por meio de aconselhamento específico,
durante o qual as orientações sejam discutidas conjuntamente,
favorecendo a compreensão e o seguimento das prescrições
médicas e contribuindo de forma mais efetiva para a adoção
de práticas sexuais mais seguras.
ESTRATÉGIAS PARA O CONTROLE
PREVENÇÃO:
a prevenção, estratégia básica para
o controle da transmissão das DST e do HIV, se dará
por meio da constante informação para a população
geral e das atividades educativas que priorizem: a percepção
de risco, as mudanças no comportamento sexual e a promoção
e adoção de medidas preventivas com ênfase
na utilização adequada do preservativo. As atividades
de aconselhamento das pessoas com DST e seus parceiros durante
o atendimento são fundamentais, no sentido de buscar que
os indivíduos percebam a necessidade de maior cuidado,
protegendo a si e a seus parceiros, prevenindo assim a ocorrência
de novos episódios. Deve-se sempre enfatizar a associação
existente entre as DST e a infeção pelo HIV. Deve-se,
ainda, estimular a adesão ao tratamento, explicitando a
existência de casos assintomáticos ou pouco sintomáticos,
também suscetíveis a graves complicações.
A promoção e distribuição de preservativos
deve ser função de todos os serviços que
prestam esse tipo de assistência. Desta forma, a assistência
pode se constituir em um momento privilegiado de prevenção.
DETECÇÃO DE CASOS: tão importante quanto diagnosticar e tratar o
mais precocemente possível os portadores sintomáticos
é realizar a detecção dos portadores assintomáticos.
Entre as estratégias que poderão suprir esta importante
lacuna estão os rastreamentos de DST assintomáticas,
especialmente sífilis, gonorréia e clamídia
em gestantes ou adolescentes, em serviços específicos,
como aqueles que executam atendimento ginecológico, em
especial os de planejamento familiar, os serviços materno-infantis
e de atendimento pré-natal, e os serviços de prevenção
do câncer cérvico-uterino. Algumas mudanças
na orientação dos profissionais de saúde
para que passem a fazer assistência integral aos usuários
são de fundamental importância pois, com isso, os
indivíduos em situação de risco teriam uma
oportunidade para aconselhamento e/ou diagnóstico.
TRATAMENTO IMEDIATO: o tratamento deve ser instituído no momento da
consulta, preferencialmente com medicação por via
oral e em dose única, ou com o menor número possível
de doses. A utilização de alguns fluxogramas desenvolvidos,
testados e já validados, provê a possibilidade de
tratamento imediato e a ruptura imediata da cadeia de transmissão.
Nesta abordagem são pesquisados os sintomas e/ou sinais
que, agrupados, forneçam o diagnóstico de uma síndrome.
O tratamento visará, então, os agentes etiológicos
mais comuns na síndrome em estudo. Para que esse tipo de
assistência seja adequadamente implementada deve incluir
ainda a coleta de material que permita a realização
do diagnóstico etiológico em laboratório
local ou de referência, aconselhamento para redução
de risco, tratamento de parceiros, orientações para
adesão aos tratamentos fracionados, promoção
e distribuição de preservativos.
O MANEJO ADEQUADO DE CASOS DE DST
Os portadores de DST devem receber atendimento e tratamento imediato.
A espera em longas filas e a possibilidade de agendamento para outro
dia, associadas à falta de medicamentos, são talvez
os principais fatores que induzem à busca de atenção
diretamente com o balconista da farmácia. Em si, o atendimento
imediato de uma DST não é apenas uma ação
curativa, mas também, e principalmente, uma ação
preventiva da transmissão do HIV e do surgimento de outras
complicações.
TRIAGEM:
neste modelo considera-se extremamente desejável a existência
de um serviço de triagem confidencial que seja realizada
por profissionais de saúde devidamente preparados para
essa finalidade.
ESPERA:
o tempo de espera deverá ser utilizado para educação
em saúde por intermédio de vídeos educativos,
atividades de aconselhamento em grupo, incluindo outras questões
de saúde e cidadania.
CONSULTA
MÉDICA: além da anamnese e do exame físico,
neste momento devem ser feitas as coletas do material das secreções
e lesões para exame laboratorial; o material para a colpocitologia
oncótica deverá ser coletado somente após
efetivação da cura da DST que motivou a consulta.
CONSULTA
DE ENFERMAGEM: a participação de enfermeiros e outros
profissionais de saúde deve ser estimulada em todas as
etapas do atendimento. O aconselhamento, a detecção
de situações risco e a educação para
saúde das pessoas com DST e seus parceiros são atividades
nas quais esses profissionais deverão atuar. Excepcionalmente
os enfermeiros poderão prescrever e aplicar medicamentos
estabelecidos em programas de saúde pública e em
rotina aprovada pela instituição de saúde
(segundo a Lei do Exercício Profissional n° 7.498/86
de 25 de junho de 1986 e regulamentada pelo Decreto nº 94.406,
de 8 de Junho de 1987).
ACONSELHAMENTO:
esta é uma atividade que deve estar presente em todo o
atendimento e não depender de apenas um profissional. A
figura do médico é extremamente importante no aconselhamento
assim como a consistência das informações
a serem fornecidas por toda a equipe. Todos os profissionais envolvidos
no atendimento devem participar do processo de aconselhamento.
COMUNICAÇÃO
AOS PARCEIROS SEXUAIS: serão considerados parceiros, para
fins de comunicação ou convocação,
os indivíduos com quem o paciente relacionou-se sexualmente
nos últimos 30 dias. O uso de cartões para comunicação
aos parceiros sexuais é desejável. De acordo com
as possibilidades de cada serviço, outras atividades poderão
ser desenvolvidas. É fundamental que os parceiros de gestantes
com sífilis que não atenderem ao chamado para tratamento
sejam objeto de busca ativa.
ABORDAGEM DO PORTADOR DE DST
O atendimento de pacientes com DST tem algumas particularidades.
Ele visa interromper a cadeia de transmissão da forma mais
efetiva e imediata possível. Visa, ainda, evitar as complicações
advindas da(s) DST em questão, e a cessação
imediata dos sintomas.
O objetivo desse atendimento é tentar prover, em uma única
consulta: diagnóstico, tratamento e aconselhamento adequados.
Não há impedimento para que exames laboratoriais sejam
colhidos ou oferecidos. A conduta, no entanto, não deverá
depender de demorados processos de realização e/ou
interpretação dos exames. Não se quer dizer
com isto que o laboratório seja dispensável, ao contrário,
tem seu papel aumentado principalmente em unidades de saúde
de maior complexidade, que servirão como fontes para a definição
do perfil epidemiológico das diferentes DST e de sua sensibilidade
aos medicamentos preconizados.
Fluxogramas específicos, já desenvolvidos e testados,
são instrumentos que auxiliarão o profissional que
realiza o atendimento na tomada de decisões. Seguindo os
passos dos fluxogramas, o profissional, ainda que não especialista,
estará habilitado a: determinar um diagnóstico sindrômico,
implementar o tratamento imediato, realizar aconselhamento para
estimular a adesão ao tratamento, para a redução
de riscos, para a convocação, orientação
e tratamento de seus parceiros, promoção de incentivo
ao uso de preservativos, dentre outros aspectos.
Os fluxogramas incluem uma série de polígonos de decisão
e ação que contêm as informações
básicas necessárias ao manejo dos pacientes.
Para o uso do fluxograma, o profissional identifica o polígono
correspondente ao problema clínico que encontra-se no topo
do quadro e segue, passo a passo, tomando as decisões necessárias,
de acordo com os achados clínicos.
Após o fluxograma de cada síndrome, são apresentadas
as notas correspondentes a cada polígono de decisão
e ação. Essas notas, ainda que parte essencial do
fluxograma, são demasiadamente detalhadas para serem incluídas
nos polígonos.
Informações mais específicas sobre as doenças
abrangidas por cada síndrome serão oferecidas imediatamente
após as notas de esclarecimento de cada fluxograma. As informações
sobre as DST que não fizerem parte das síndromes serão
apresentadas em capítulos posteriores.
O exame físico e a anamnese do paciente e de seus contatos
sexuais devem constituir-se nos principais elementos diagnósticos
das DST, tendo em vista a dificuldade de acesso imediato aos exames
laboratoriais. O médico, e mesmo os demais profissionais
de saúde, deverão conhecer os principais aspectos
anatômicos e funcionais, tanto do organismo masculino como
do feminino, para poder, junto com os dados da anamnese, fazer um
diagnóstico de presunção das principais síndromes
(abordagem sindrômica) ou doenças transmitidas pelo
sexo, lembrando que, na mulher, diversas DST podem apresentar-se
de maneira assintomática durante período variável
de tempo.
É importante frisar que obter informações fidedignas
para a realização de uma anamnese consistente e precisa
implica na construção de uma relação
de confiança entre o profissional de saúde e o indivíduo
em atendimento. Para tal, o profissional deve ter em mente que no
contexto assistencial das DST, questões sobre sexualidade,
fidelidade, prazer, desprazer, violência, conceito de risco,
de doença, de saúde e outros, são apresentados
das mais variadas formas, de acordo com a história de cada
um dos interlocutores (paciente e profissional), seu meio socioeconômico
e sua personalidade.
Sabemos que as DST implicam em práticas de foro íntimo
e são decorrentes do exercício da sexualidade. Sendo
assim, os profissionais têm a oportunidade ímpar de
conversar sobre aspectos da intimidade da vida da pessoa em atendimento
e, portanto, precisam ter clareza a respeito dos valores sexuais
do paciente, assim como de seus próprios valores. Dessa forma,
atitudes de preconceito, juízos de valor e imposição
de condutas poderão ser evitadas e, apesar das eventuais
diferenças, o diálogo será garantido.
Caso contrário, conseqüências negativas poderão
ocorrer, como por exemplo: omissão de informações
necessárias para a realização do diagnóstico
ou despreocupação quanto à real gravidade da
doença ou, por outro lado, superdimensioná-la, causando,
desta forma, angústias desnecessárias ou até
mesmo desajustes conjugais.
Nesse sentido entendemos que o paciente deverá ser visto
como um todo, constituído por sentimentos, crenças,
valores, aspectos estes determinantes das práticas de risco
e atitudes diante do tratamento prescrito. Seu comportamento orgânico
também não se restringe aos órgãos genitais;
lembremos que outras doenças (ex.: diabetes, dermatoses,
imunodeficiências, etc.), o estado nutricional e o uso de
medicamentos, podem interferir tanto no diagnóstico como
no tratamento das DST.
No atendimento motivado por DST, os profissionais de saúde
deverão incluir o exame clínico-genital minucioso
que contemple a busca de outras DST, educação para
redução de riscos, orientação sobre
cuidados higiênicos, oferecimento do teste anti-HIV, aconselhamento,
estímulo à adesão ao tratamento, promoção
do uso de preservativos, convocação dos parceiros
sexuais e a notificação do caso; sempre que possível
deverá ser feita a pesquisa e a observação
de achados que possam identificar outras doenças, por meio
de: inspeção geral, controle de pressão arterial,
palpação de mamas, toque retal; a citologia oncótica
de colo de útero deverá ser realizada quando houver
indicação e por ocasião do retorno da paciente.
AS DST COMO PRIORIDADE EXAME FÍSICO
Observar pele, mucosas e palpar os gânglios de todos os segmentos
corporais (cabeça, tronco e membros), particularmente, a
palma das mãos, plantas dos pés, mucosa orofaríngea
e dos genitais. Quaisquer lesões (ulceradas ou não,
em baixo ou alto relevo, hiperêmica, hipercrômica, circular,
irregular, circinada, etc.), no abdômen, dorso, couro cabeludo
e principalmente na região perineal, deverão ser anotadas
e correlacionadas com a história em questão.
Doenças como sífilis podem ter, além da região
genital, outros locais de infecção. A gonorréia
pode apresentar formas diferentes da enfermidade abrangendo regiões
não genitais (ex.: faringite, osteoartrite, conjuntivite,
peri-hepatite, etc.). O eritema multiforme e a cefaléia,
podem acompanhar o linfogranuloma venéreo.
Assim como estas observações, muitas outras poderiam
ser feitas, já que as DST não devem ser procuradas
por sinais isolados, mas sim por um conjunto de informações
e de dados clínicos que possam sugerir o diagnóstico.
EXAME GENITAL MASCULINO
Para uma melhor inspeção, tanto da região inguinal
quanto dos órgãos genitais externos, o paciente deverá
estar em pé, com as pernas afastadas, e o clínico
sentado. Para a região ano-retal, o paciente deverá
curvar-se para a frente, afastando as nádegas com suas próprias
mãos ou, melhor ainda, deitado em decúbito lateral
com leve ante flexão do tronco e da coxa não encostada
na maca.
Observar e palpar cadeias ganglionares e quaisquer outras tumorações,
ulcerações, fístulas, fissuras, etc. Notar
possíveis desvios do eixo peniano, aberturas anômalas
da uretra, assimetria testicular, processo inflamatório da
bolsa escrotal. Sempre que possível, efetuar o toque retal
à procura de tumorações e saliências,
além de alterações da próstata.
EXAME GENITAL FEMININO
Pelas próprias características femininas, o ginecologista,
ou clínico, necessitará contar com a total cooperação
da paciente. Para tanto, deverá captar sua confiança,
descrevendo todos os procedimentos a serem realizados, ressaltando
o fato de que todo o material a ser utilizado é esterilizado.
O exame deve ser realizado com a paciente em posição
ginecológica.
No exame estático deve-se observar a disposição
dos pêlos, conformações anatômicas (grandes
e pequenos lábios, clitóris, hímen, monte de
Vênus, períneo, borda anal), distrofias, discromias,
tumorações, ulcerações, etc.
Para o exame dinâmico utilizar luvas de procedimento, descartáveis;
deve-se colocar os dedos indicador e médio na região
que corresponde às glândulas de Bartholin (aproximadamente
às 5 e 7 horas) e tracioná-las para baixo e para fora.
Com isso pode-se entreabrir a vulva, que ficará completamente
exposta, solicitando-se à paciente para aumentar a pressão
intra-abdominal.
O exame especular deverá ser feito, após breve explicação
sobre o instrumento à paciente, colocando-se o espéculo
esterilizado sempre com uma inclinação de 75o, pressionando
a parede posterior da vagina, usando o dedo indicador e médio
para expor o intróito vaginal (evitando o traumatismo de
uretra e bexiga); observar coloração e pregueamento
vaginal, além do aspecto do colo uterino, principalmente
do muco cervical; notar a presença ou não de secreções,
tumorações, ulcerações e roturas; efetuar
corretamente a coleta de material para análise laboratorial
quando em presença de secreção, de lesões
vegetantes ou ulceradas. Em seguida, efetuar a limpeza do orifício
externo do colo com ácido acético 5% e fazer o teste
de Schiller (lugol) para evidenciar lesões do colo e ectopias.
Não havendo corrimento vaginal e/ou cervical, ou após
o tratamento das secreções ou lesões, coletar
material para colpocitologia oncótica, quando houver indicação.
A retirada do espéculo deverá ser tão cuidadosa
quanto a sua colocação, evitando-se prender o colo
entre as lâminas do espéculo ou retirando-se o mesmo
totalmente aberto, o que causará dor e traumatismo uretral.
Durante a retirada, lenta e cuidadosa, observar as paredes vaginais.
Quando disponível o aparelho, realizar o exame colposcópico
observando toda a genitália, incluindo ectocérvice,
vagina, vulva e ânus.
Nota: As coletas dos materiais deverão ser feitas antes de
qualquer lubrificação ou limpeza, devendo ser evitada,
portanto, a colocação de vaselina no espéculo.
O toque vaginal também deverá ser previamente explicado
à paciente e realizado com luva estéril (sem necessidade
de ter o padrão cirúrgico). Deve-se usar inicialmente
o dedo indicador para deprimir o períneo posterior, o que
contribuirá para o relaxamento da musculatura. Introduz-se
então os dedos médios e indicador (previamente lubrificados),
procurando sentir a elasticidade vaginal, presença de tumorações
e/ou abaulamentos, consistência e tamanho do colo e aberturas
do canal cervical. Movendo-se o colo para um lado e outro, traciona-se
os ligamentos cardinais e largo podendo evidenciar-se processos
inflamatórios.
Somente após todas estas manobras é que se deve tocar
com a outra mão a parede abdominal da paciente, sempre respeitando
os movimentos respiratórios e aproveitando a expiração
para a palpação profunda.
A mão vaginal empurra o colo e o útero para cima para
que o fundo do mesmo possa ser palpado entre a mão abdominal
e a vaginal. Durante a palpação, notar seu tamanho,
consistência, mobilidade, a regularidade de sua forma, o ângulo
em relação ao colo e à vagina e a possível
sensibilidade da paciente.
As regiões anexas são palpadas inserindo os dedos
vaginais lateralmente ao colo, até o fundo do fórnix,
e tracionando as estruturas na pelve com a mão abdominal.
As estruturas anexas (ligamento largo, trompa e ovário) são
palpadas entre as duas mãos. Estas estruturas podem não
ser palpáveis, principalmente em mulheres após a menopausa
ou obesas. Geralmente, as trompas não são palpáveis,
a menos que estejam aumentadas. Deve-se procurar por massas e alterações
da sensibilidade. O tamanho, a forma, a consistência e a sensibilidade
de qualquer massa também devem ser determinados.
O toque retal, quando necessário, deverá ser explicado
para a paciente, e realizado com uso de lubrificante. Facilita o
exame pedir à paciente para fazer força durante a
inserção do dedo examinador. Palpa-se o canal anal
à procura de massas. Utilizando a mesma técnica abdomino-vaginal,
as estruturas pélvicas são novamente palpadas. Deve-se
prestar atenção especial ao septo retrovaginal, aos
ligamentos uterossacrais, ao fundo de saco e ao fundo uterino posterior.
É durante este exame que melhor se encontram massas do fundo
de saco de Douglas.
PESQUISA DE OUTRAS DST
As associações entre diferentes DST são freqüentes.
Destaca-se, atualmente, a relação entre a presença
de DST e o aumento do risco de infecção pelo HIV.
O cumprimento de todos os passos da anamnese, do exame físico
e a coleta de secreções e material para a realização
do diagnóstico etiológico, o oferecimento para realização
do diagnóstico sorológico anti-HIV e o aconselhamento
devem fazer parte da rotina. No entanto, lembramos que a realização
do exame para detecção de anticorpos anti-HIV deve
ocorrer se o profissional sentir-se capacitado para realizar o aconselhamento
pré e pós-teste.
ACONSELHAMENTO
O aconselhamento é entendido como um "processo de escuta
ativa individualizado e centrado no cliente. Pressupõe a
capacidade de estabelecer uma relação de confiança
entre os interlocutores, visando o resgate dos recursos internos
do cliente para que ele mesmo tenha possibilidade de reconhecer-se
como sujeito de sua própria saúde e transformação."
(CN DST/Aids - MS, 1997)
Tido como um instrumento importante para a quebra na cadeia de transmissão
das DST, o aconselhamento auxilia o paciente a:
compreender
a relação existente entre o seu comportamento e
o problema de saúde que está apresentando,
a
reconhecer os recursos que tem para cuidar da sua saúde
e evitar novas infecções.
Esta prática pressupõe o reconhecimento pelo profissional
de que o sucesso a ser alcançado depende da ação
conjunta de ambos interlocutores (profissional e paciente). Implica,
portanto, na participação ativa do paciente no processo
terapêutico e na promoção de um diálogo
no qual a mensagem é contextualizada às características
e vivências do indivíduo em atendimento. A idéia
demarcada no processo de aconselhamento é a TROCA:
por
um lado há o profissional com seu saber técnico
científico, suas crenças, valores e suas possibilidades
e limites em manejar/conduzir cada caso, e
por
outro lado há o paciente com seu saber, crenças,
valores e suas possibilidades e limites em adotar medidas preventivas
e seguir as prescrições médicas.
OBJETIVOS DO ACONSELHAMENTO
Na medida que, no processo de aconselhamento, a "demanda"
do paciente, entendida como suas necessidades, dúvidas, preocupações,
medos, angústias, etc., relacionadas ao seu problema de saúde,
é identificada e acolhida, torna-se possível o desenvolvimento
de uma relação de confiança e a promoção
de apoio emocional. Dessa forma, o nível de estresse do paciente
é reduzido, propiciando as condições para o
alcance dos seguintes objetivos:
trocar
informações sobre DST, HIV e aids, suas formas de
transmissão, prevenção e tratamento;
realizar
avaliação de riscos, permitindo a compreensão/consciência
a respeito dos riscos pessoais de infecção para
a DST atual e para o HIV;
identificar
os limites e as possibilidades existentes para a adoção
de medidas preventivas, estimulando o cuidado de si e dos parceiros;
promover
a adesão ao tratamento; e
promover
a comunicação e tratamento do(s) parceiro(s) sexual(is).
ACONSELHAMENTO INDIVIDUAL E COLETIVO
O aconselhamento pode ser realizado tanto em grupo como individualmente.
Na abordagem coletiva, as questões comuns expressas pelos
participantes devem nortear o conteúdo a ser abordado. Nesse
sentido, a identificação da demanda do grupo é
fundamental.
No grupo, as pessoas têm a oportunidade de redimensionar suas
dificuldades ao compartilhar dúvidas, sentimentos, conhecimentos,
etc. Em algumas circunstâncias, essa abordagem pode provocar
alívio do estresse emocional vivenciado pelos pacientes.
A dinâmica grupal também pode favorecer o indivíduo
a perceber sua própria demanda, a reconhecer o que sabe e
sente, estimulando sua participação nos atendimentos
individuais subsequentes. Os grupos realizados em sala de espera
podem ser um exemplo dessa abordagem, além de otimizarem
o tempo que o usuário passa no serviço de saúde.
É importante, entretanto, que o profissional esteja atento
para perceber os limites que separam as questões que devem
ser abordadas no espaço grupal daquelas pertinentes ao atendimento
individual.
QUEM FAZ O ACONSELHAMENTO?
Todos os profissionais da equipe de saúde deveriam estar
aptos a desenvolver o aconselhamento. É fundamental que a
pessoa que realiza esta atividade tenha informações
atualizadas e tecnicamente corretas sobre DST/Aids. Outro aspecto
importante para que o aconselhamento se desenvolva adequadamente
é adotar uma postura de acolhimento valorizando o que o paciente
sabe, pensa e sente a respeito do seu problema de saúde,
facilitando desta forma a formação do vínculo
de confiança essencial em todo o processo.
Cabe à equipe do serviço de saúde funcionar
de maneira harmônica e integrada e organizar-se da forma mais
conveniente para que o aconselhamento seja desenvolvido durante
o processo de atendimento dos usuários.
Enfim, para que o Aconselhamento seja viável, os profissionais
devem reconhecer os próprios limites, saber que não
podem responder a tudo, possibilitando assim um "encontro entre
profissionais humanos e pacientes humanos".
PROCEDIMENTOS BÁSICOS DO ACONSELHAMENTO
reafirmar
a confidencialidade e o sigilo das informações prestadas;
identificar
com clareza a demanda do cliente;
prestar
apoio emocional ao cliente;
facilitar
ao cliente a expressão de sentimentos;
identificar
as crenças e os valores do cliente acerca das DST, HIV
e aids;
utilizar
linguagem compatível com a cultura do cliente;
trocar
informações específicas sobre a(s) DST apresentada(s);
avaliar
com o cliente seu histórico de outras DST e as situações
de risco que culminaram nesta DST;
reforçar
a necessidade da adoção de práticas mais
seguras para a redução de riscos;
explicar
as complicações decorrentes de não ser feito
o tratamento, ou do tratamento ser incompleto ou da auto-medicação;
reforçar
a necessidade de retorno ao serviço se não houver
melhora ou sempre que apresentar algum sintoma;
reforçar
a necessidade do tratamento dos parceiros sexuais;
trocar
informações sobre DST e HIV e aids, suas formas
de transmissão, prevenção e tratamento, com
ênfase nas situações de risco do cliente;
ajudar
o cliente a avaliar e perceber seus riscos de infecção
pelo HIV e outras DST;
identificar
barreiras para a mudança das situações de
risco;
contribuir
para a elaboração de um plano viável de redução
de riscos;
explicar
o benefício e demonstrar o uso correto do preservativo;
avaliar
possíveis dificuldades quanto ao uso do preservativo e
sua superação;
avaliar
e recomendar a possibilidade de outras práticas sexuais
seguras;
ajudar
o cliente a reconhecer suas responsabilidades e possibilidades
em lidar com seu problema;
lembrar
que o consumo de álcool e outras drogas, lícitas
ou ilícitas pode alterar a percepção de risco;
estimular
a auto-estima e autoconfiança do cliente;
favorecer
a desconstrução de estigmas, mitos e preconceitos
relacionados às DST e HIV e aids;
estimular
a disseminação das orientações recebidas;
encaminhar
o cliente para outros serviços de assistência, incluindo
grupos comunitários de apoio, quando necessário;
enfatizar
a relação entre DST e HIV e aids, principalmente
o fato de uma DST facilitar a transmissão do HIV, qualquer
que seja ela;
oferecer
testagem anti-HIV e aconselhamento pré e pós-teste.
ACONSELHAMENTO
PRÉ-TESTE ANTI-HIV
reafirmar
o caráter voluntário e confidencial da testagem;
avaliar
com o cliente a realização ou não do teste;
verificar
história anterior de testagem e riscos;
trocar
informações sobre o sistema de teste e o conceito
de "janela imunológica";
trocar
com o cliente informações sobre o significado dos
possíveis resultados do teste;
reforçar
para o cliente a diferença entre HIV e aids;
considerar
com o cliente o impacto em sua vida dos possíveis resultados
do teste;
sondar
qual o apoio emocional e social disponível ao cliente (família,
parceiros, amigos,trabalho
e outros);
considerar
com o cliente possíveis reações emocionais
no período de espera do resultado do teste;
reforçar
a necessidade da adoção de práticas seguras
frente ao HIV, também neste período.
ACONSELHAMENTO
PÓS-TESTE DIANTE DE RESULTADO NEGATIVO:
informar
que um resultado negativo significa que a pessoa não está
infectada ou foi infectada tão recentemente que não
produziu anticorpos necessários para detecção
pelo teste utilizado;
avaliar
a possibilidade do cliente estar em "janela imunológica"
e necessitar de um novo teste;
lembrar
que um resultado negativo não significa imunidade;
reforçar
as práticas seguras já adotadas ou a serem adotadas
pelo cliente frente ao HIV;
reforçar
os benefícios do uso exclusivo de equipamentos para o consumo
de drogas injetáveis e demonstrar o método correto
de limpeza e desinfecção de seringas e agulhas,
caso seja necessário.
ACONSELHAMENTO PÓS-TESTE DIANTE DE RESULTADO POSITIVO
permitir
o tempo necessário para que o cliente assimile o impacto
do diagnóstico e expresse seus sentimentos;
conversar
sobre sentimentos e dúvidas, prestando o apoio emocional
necessário;
estar
atento para o manejo adequado de sentimentos comuns, tais como
raiva, ansiedade, depressão, medo, negação
e outros;
desmistificar
sentimentos que associam HIV/AIDS a culpa, punição,
rejeição, degenerescência, morte, e outros;
retomar
que um resultado positivo significa que a pessoa é portadora
do vírus, podendo ou não estar com a doença
desenvolvida;
enfatizar
que mesmo sendo um portador assintomático pode transmitir
o vírus para outros;
reforçar
a importância de acompanhamento médico, ressaltando
que a infecção é tratável;
reforçar
a necessidade da adoção de práticas seguras
para a redução de riscos de re-infecção
pelo HIV e outras DST;
reforçar
o benefício e demonstrar o uso correto do preservativo,
caso ainda haja dúvidas;
reforçar
os benefícios do uso exclusivo de equipamentos para o consumo
de drogas injetáveis e demonstrar o método correto
de limpeza e desinfecção de seringas e agulhas,
caso seja necessário;
enfatizar
a necessidade do resultado ser comunicado aos parceiros sexuais
oferecendo ajuda, caso seja solicitada;
orientar
quanto a necessidade dos parceiros realizarem o teste anti-HIV;
definir
com o cliente os serviços de assistência necessários,
incluindo grupos comunitários de apoio;
em
caso de gestante explicar:
as
formas de transmissão vertical, que podem ocorrer durante
a gestação, parto ou aleitamento;
como
pode minimizar as chances da transmissão vertical;
a
transmissão dos anticorpos maternos e o processo de soroconversão
no recém-nascido;
os
riscos da amamentação; e
a
necessidade de realizar o teste de todos os filhos nascidos após
a infecção ou, em caso de dúvida, após
1980.
ACONSELHAMENTO PÓS-TESTE DIANTE DE RESULTADO INDETERMINADO:
explicar
que um resultado indeterminado pode significar: um falso positivo
devido a razões biológicas ou um verdadeiro positivo
de uma infecção recente cujos anticorpos não
estão plenamente desenvolvidos;
reforçar
a adoção de práticas seguras para a redução
de riscos de infecção pelo HIV e outras DST;
reforçar
o benefício e demonstrar o uso correto do preservativo;
reforçar
os benefícios do uso exclusivo de equipamentos para o consumo
de drogas injetáveis e demonstrar o método correto
de limpeza e desinfecção de seringas e agulhas,
caso seja necessário;
orientar
a realização de nova coleta para refazer o teste
no período definido pelo laboratório; e
considerar
com o cliente possíveis reações emocionais
no período de espera do resultado do teste e referenciar
para apoio psicológico, se necessário.
PRESERVATIVOS
Embora tenha dupla função (anticonceptiva e profilática),
o preservativo sempre esteve mais diretamente ligado à prevenção
das doenças sexualmente transmissíveis (DST). Antes
de surgirem métodos anticoncepcionais como a "pílula",
o DIU, o diafragma e a esterilização cirúrgica,
por exemplo, o preservativo (juntamente com a prática do
coito interrompido) parece ter desempenhado papel relevante na regulação
da fecundidade, em vista das reduzidas alternativas anticonceptivas
então disponíveis. Contudo, a principal finalidade
de seu uso era a prevenção de DST. Isto é válido
tanto para os jovens e adolescentes que iniciavam a vida sexual
(geralmente, com trabalhadoras sexuais) quanto para homens adultos
e casados, em relações extraconjugais.
A partir da década de 50, com o desenvolvimento da penicilina
e de outros antibióticos eficazes, as práticas e comportamentos
preventivos quanto às DST foram se tornando, cada vez, menos
adotados. Para isto, também contribuiu a rápida evolução
dos costumes (que instaurou, na grande maioria das sociedades, uma
maior liberalidade sexual), desestimulando o recurso aos serviços
das trabalhadoras sexuais. Além disso, o aparecimento da
pílula anticoncepcional permitiu à mulher ter domínio
sobre sua função reprodutiva, pela primeira vez, na
história. Sem dúvida, estes foram fatores determinantes
para que o uso do preservativo se tornasse, gradualmente, inexpressivo
sobretudo nos países em desenvolvimento.
No Brasil, o preservativo é muito pouco usado, seja como
método anticonceptivo ou seja como método profilático
das DST/aids. Em pesquisas nacionais realizadas junto a mulheres
em idade fértil (MIF), isto é, na faixa etária
de 15 a 44 anos, casadas ou em união, o uso do preservativo
foi reportado por apenas 1,7% ou 1,8% de todas as usuárias
de métodos anticoncepcionais. Entretanto, estes resultados
parecem estar subestimados. Com efeito, levantamentos locais junto
a homens sexualmente ativos, na faixa etária dos 15 aos 24
anos, detectaram índices de uso do preservativo que variaram
de 12,5% a 32,4% (no Rio de Janeiro, respectivamente, para os jovens
unidos e não unidos); de 14,7% a 34,1% (em Curitiba); e de
cerca de 18% a 40,4% (em Recife). Na cidade de Campinas (São
Paulo), pesquisa realizada junto a 305 homens de 18 a 30 anos (solteiros,
em sua grande maioria), chegou a resultados similares: 75% dos entrevistados
reportaram relações sexuais que ocorreram nos 30 dias
anteriores à pesquisa, mas apenas 29,8% destes relataram
o uso constante do preservativo.
De qualquer modo, estes níveis de uso do preservativo, sobretudo
em tempos de aids, ainda são muito baixos. De certa forma,
isso poderia ser justificado por fatores como: "ter um relacionamento
estável", "não manter relações
casuais ou promíscuas", "ter um bom conhecimento
sobre a parceira atual" e "a parceira está usando
outro método anticoncepcional", conforme foi detectado
em diversas pesquisas qualitativas. Contudo, o surgimento da aids,
doença de alta letalidade, para a qual ainda não há
medicamentos preventivos, impõe mudanças nos comportamentos,
atitudes e práticas sexuais, tanto por parte dos indivíduos
quanto da sociedade como um todo.
Sem dúvida, com a crescente possibilidade de exposição
ao HIV, o exercício da sexualidade voltou a exigir cuidados
com a transmissão de doenças e, neste caso, as medidas
preventivas devem ser tomadas por todos os indivíduos, independentemente
dos fatores idade ou sexo. Mesmo as pessoas que, por desejarem ter
filhos, por serem estéreis ou terem se submetido à
esterilização cirúrgica voluntária ou,
ainda, por já se encontrarem fora do período reprodutivo
não necessitavam recorrer ao uso de métodos anticoncepcionais,
também se vêem, hoje, obrigadas a utilizar em sua prática
sexual um método de barreira, destinado a minimizar os riscos
de exposição ao HIV.
Com isto, a aids veio revalorizar um método antigo, cujos
níveis de utilização, em todo o mundo, vinham
em constante declínio desde meados da década de 50.
Essa rápida mudança, entretanto, também exige
mudanças de atitude por parte dos indivíduos, particularmente
aquelas que se referem à aceitabilidade e ao uso efetivo
de um método (anticoncepcional e profilático) ainda
considerado como antiquado, além de ser estigmatizado, pois
muito freqüentemente ele é associado a relacionamentos
sexuais ilícitos e/ou promíscuos, bem como a práticas
sexuais também consideradas como de alto risco.
O uso de preservativos, tanto masculinos quanto femininos, por pessoas
sexualmente ativas, é o método mais eficaz para a
redução do risco de transmissão do HIV e de
outros agentes sexualmente transmissíveis. Sua segurança,
no entanto, depende da técnica de uso e de seu uso sistemático
em todas as relações sexuais.
Preservativo Masculino
deve
ser armazenado afastado do calor, observando-se a integridade
da embalagem, bem como o prazo de validade;
deve
ser colocado antes da penetração, após obtida
ereção peniana;
o
receptáculo existente na extremidade do preservativo deve
ser apertado durante a colocação, retirando todo
o ar do seu interior;
ainda
segurando a ponta do preservativo, desenrolá-lo até
a base do pênis;
devem
ser usados apenas lubrificantes de base aquosa pois o uso de lubrificantes
oleosos (como vaselina ou óleos alimentares) danifica o
látex, aumentando o risco de ruptura;
no
caso de ruptura, o preservativo deve ser substituído imediatamente;
após
a ejaculação, retirar o pênis ainda ereto,
segurando o preservativo pela base para que não haja vazamento
de esperma; e
o
preservativo não deve ser reutilizado, devendo ser descartado
no lixo (nunca no vaso sanitário) após o uso.
Usuários
constantes dos preservativos masculinos apontam como fatores de
risco para ruptura ou escape
más
condições de armazenamento;
não
observação do prazo de validade;
lubrificação
vaginal insuficiente;
sexo
anal sem lubrificação adequada;
uso
de lubrificantes oleosos;
presença
de ar e/ou ausência de espaço para recolher o esperma
na extremidade do preservativo;
tamanho
inadequado em relação ao pênis;
perda
de ereção durante o ato sexual;
contração
da musculatura vaginal durante a retirada do pênis;
retirada
do pênis sem que se segure firmemente a base do preservativo;
uso
de dois preservativos (devido à fricção que
ocorre entre eles); e
uso
de um mesmo preservativo durante coito prolongado.
Preservativo Feminino
deve
ser armazenado afastado do calor, observando-se a integridade
da embalagem, bem como o prazo de validade;
não
deve ser usado junto com o preservativo masculino;
ao
contrário do preservativo masculino, o feminino pode ser
colocado até oito horas antes da relação,
e retirado com tranqüilidade após a relação,
de preferencia antes da mulher levantar-se, para evitar que o
esperma escorra do interior do preservativo;
o
preservativo feminino já vem lubrificado, no entanto, se
for preciso, devem ser usados na parte interna, apenas lubrificantes
de base aquosa pois o uso de lubrificantes oleosos (como vaselina
ou óleos alimentares) danifica o látex, aumentando
o risco de ruptura;
para
colocá-lo corretamente, a mulher deve encontrar uma posição
confortável (em pé com um dos pés em cima
de uma cadeira, sentada com os joelhos afastados, agachada ou
deitada); o anel móvel deve ser apertado e introduzido
na vagina; com o dedo indicador ele deve ser empurrado o mais
profundamente possível para alcançar o colo do útero;
a argola fixa (externa) deve ficar aproximadamente 3 cm para fora
da vagina; durante a penetração o pênis deve
ser guiado para o centro do anel externo;
deve
ser utilizado um novo preservativo a cada nova relação.
O uso
regular de preservativos pode levar ao aperfeiçoamento na
técnica de utilização, reduzindo a freqüência
de ruptura e escape e, conseqüentemente, aumentando sua eficácia.
Os preservativos devem ser promovidos e oferecidos aos pacientes,
como parte da rotina de atendimento.
CONCEITO
1Doença infecciosa, de transmissão freqüentemente
sexual, também conhecida como condiloma acuminado, verruga
genital ou crista de galo.
AGENTE ETIOLÓGICO
O Papilomavírus humano (HPV) é um DNA-vírus
não cultivável do grupo papovavírus. Atualmente
são conhecidos mais de 70 tipos, 20 dos quais podem infectar
o trato genital. Estão divididos em 3 grupos, de acordo com
seu potencial de oncogenicidade. Os tipos de alto risco oncogênico,
quando associados a outros co-fatores, tem relação
com o desenvolvimento das neoplasias intra-epiteliais e do câncer
invasor do colo uterino.
Associação de 15 tipos de HPV às doenças
neoplásicas do colo uterino e seus precursores.2
Classificação
em função da associação com lesões
graves
Tipos
de HPV
Associação
com lesões cervicais
Baixo
risco
6,
11, 42, 43 e 44
20,2%
em NIC de baixo grau, praticamente inexistentes em carcinomas
invasores
Risco
intermediário
31,
33, 35, 51, 52 e 58
23,8%
em NIC de alto grau mas em apenas 10,5% dos carcinomas invasores
Alto
risco
16
47,1%
em NIC de alto grau ou carcinoma invasor
18,
45 e 56
6,5%
em NIC de alto grau e 26,8% em carcinoma invasor
QUADRO CLÍNICO
A maioria das infecções são assintomáticas
ou inaparentes. Podem apresentar-se clinicamente sob a forma de
lesões exofíticas. A infecção pode também
assumir uma forma denominada subclínica, visível apenas
sob técnicas de magnificação e após
aplicação de reagentes, como o ácido acético.
Ainda, este vírus é capaz de estabelecer uma infecção
latente em que não existem lesões clinicamente identificáveis
ou subclínicas, apenas sendo detectável seu DNA por
meio de técnicas moleculares em tecidos contaminados. Não
é conhecido o tempo em que o vírus pode permanecer
nesse estado, e quais fatores são responsáveis pelo
desenvolvimento de lesões. Por este motivo, não é
possível estabelecer o intervalo mínimo entre a contaminação
e o desenvolvimento de lesões, que pode ser de semanas, a
décadas.
Algumas estudos prospectivos têm demonstrado que em muitos
indivíduos, a infecção terá um caráter
transitório, podendo ser detectada ou não. O vírus
poderá permanecer por muitos anos no estado latente e, após
este período, originar novas lesões. Assim, a recidiva
de lesões pelo HPV está muito mais provavelmente relacionada
à ativação de "reservatórios"
próprios de vírus do que à reinfecção
pelo parceiro sexual. Os fatores que determinam a persistência
da infecção e sua progressão para neoplasias
intraepiteliais de alto grau (displasia moderada, displasia acentuada
ou carcinoma in situ) são os tipos virais presentes e co-fatores,
entre eles, o estado imunológico, tabagismo e outros de menor
importância.
Os condilomas, dependendo do tamanho e localização
anatômica, podem ser dolorosos, friáveis e/ou pruriginosos.
Quando presentes no colo uterino, vagina, uretra e ânus, também
podem ser sintomáticos. As verrugas intra-anais são
predominantes em pacientes que tenham tido coito anal receptivo.
Já as perianais podem ocorrer em homens e mulheres que não
têm história de penetração anal. Menos
freqüentemente podem estar presentes em áreas extragenitais
como conjuntivas, mucosa nasal, oral e laríngea.
Na forma clinica as lesões podem ser únicas ou múltiplas,
localizadas ou difusas e de tamanho variável, localizando-se
mais freqüentemente no homem, na glande, sulco bálano-prepucial
e região perianal, e na mulher, na vulva, períneo,
região perianal, vagina e colo.
Os tipos 16, 18, 31, 33, 35, 45, 51, 52, 56 e 58, são encontrados
ocasionalmente na forma clínica da infecção
(verrugas genitais) e tem sido associados com lesões externas
(vulva, pênis e ânus), com neoplasias intra-epiteliais
ou invasivas no colo uterino e vagina. Quando na genitália
externa, estão associados a carcinoma in situ de células
escamosas, Papulose Bowenoide, Eritroplasia de Queyrat e Doença
de Bowen da genitália. Pacientes que tem verrugas genitais
podem estar infectados simultaneamente com vários tipos de
HPV. Os tipos 6 e 11 raramente se associam com carcinoma invasivo
de células escamosas da genitália externa.
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico do condiloma é basicamente clínico,
podendo ser confirmado por biópsia, embora isto raramente
seja necessário. Este procedimento está indicado quando:
existir
dúvida diagnóstica ou suspeita de neoplasia (lesões
pigmentadas, endurecidas, fixas ou ulceradas);
as
lesões não responderem ao tratamento convencional;
as
lesões aumentarem de tamanho durante ou após o tratamento;
o
paciente for imunodeficiente.
Nesses
casos recomenda-se a realização de várias biópsias,
com material retirado de vários locais diferentes da lesão.
As lesões cervicais, subclínicas, são geralmente
detectadas pela citologia oncótica, devendo ser avaliadas
pela colposcopia e biópsias dirigidas.
O diagnóstico definitivo da infecção pelo HPV
é feito pela identificação da presença
do DNA viral por meio de testes de hibridização molecular
(hibridização in situ, PCR, Captura Híbrida).
O diagnóstico por colpocitologia nem sempre está correlacionado
com a identificação do DNA do HPV. As alterações
celulares causadas pelo HPV no colo uterino têm o mesmo significado
clínico que as observadas nas displasias leves ou neoplasia
intra-epitelial de grau I. Mais recentemente, ambas as condições
têm sido denominadas indistintamente como lesão intra-epitelial
escamosa de baixo grau (Low Grade Squamous Intraepithelial Lesion
- LSIL), com grande chance de regressão sem tratamento. Existem
testes que identificam vários tipos de HPV mas não
está claro seu valor na prática clínica e as
decisões quanto a condutas clínicas não devem
ser feitas com base nestes testes. Também não é
recomendável o rastreio de infecção subclínica
pelo HPV por meio desses testes.
TRATAMENTO
O objetivo principal do tratamento da infecção pelo
HPV é a remoção das verrugas sintomáticas,
levando a períodos livres de lesões em muitos pacientes.
Verrugas genitais freqüentemente são assintomáticas.
Nenhuma evidência indica que os tratamentos atualmente disponíveis
erradicam ou afetam a história da infecção
natural do HPV. A remoção da verruga pode ou não
diminuir sua infectividade. Se deixados sem tratamento, os condilomas
podem desaparecer, permanecer inalterados, ou aumentar em tamanho
ou número. Nenhuma evidência indica que o tratamento
do condiloma prevenirá o desenvolvimento de câncer
cervical.
Os tratamentos disponíveis para condilomas são: crioterapia,
eletrocoagulação, podofilina, ácido tricloroacético
(ATA) e exérese cirúrgica.
A maioria dos pacientes tem de 1 a 10 verrugas, que respondem à
maioria das modalidades de tratamento.
Com o método escolhido, nenhum dos tratamentos disponíveis
é superior aos outros, e nenhum tratamento será o
ideal para todos os pacientes nem para todas as verrugas.
Fatores que podem influenciar a escolha do tratamento são
o tamanho, número e local da lesão, além de
sua morfologia e preferência do paciente, custos, disponibilidade
de recursos conveniência, efeitos adversos, e a experiência
do profissional de saúde.
Em geral, verrugas localizadas em superfícies úmidas
e/ou nas áreas intertriginosas respondem melhor a terapêutica
tópica (ATA, podofilina) que as verrugas em superfícies
secas.
Planejar o tratamento juntamente com o paciente é importante
porque muitos pacientes necessitarão de mais de uma sessão
terapêutica. Deve-se mudar de opção terapêutica
quando um paciente não melhorar substancialmente depois de
três aplicações, ou se as verrugas não
desaparecerem completamente após seis sessões. O balanço
entre risco e benefício do tratamento deverá ser analisado
no decorrer do processo para evitar tratamento excessivo.
Raramente ocorrem complicações se os tratamentos são
utilizados corretamente. Os pacientes deverão ser advertidos
da possibilidade de cicatrizes hipo ou hipercrômicas quando
são utilizados métodos destrutivos. Também
podem resultar, embora raramente, em áreas deprimidas ou
hipertróficas, especialmente se o paciente não teve
tempo suficiente para cicatrização total antes de
uma nova sessão terapêutica. Mais raramente, o tratamento
pode resultar em síndromes dolorosas incapacitantes, como
vulvodínia ou hiperestesia do local tratado.
Lesões na genitália externa
Podofilina
10-25% em solução alcoólica ou em tintura
de Benjoim: deve-se aplicar uma pequena quantidade em cada verruga,
e deixar secar. Para evitar a possibilidade de complicações
associadas com sua absorção sistêmica e toxicidade,
alguns especialistas recomendam que se utilize até 0,5
ml em cada aplicação ou que se limite a área
tratada em até 10 cm2 por sessão. Outros sugerem
que a solução seja retirada por lavagem da área
tratada em 1-4 horas depois da aplicação para reduzir
a irritação no local. Repetir semanalmente se necessário.
Nunca usar durante a gravidez. A podofilina contêm uma série
de substâncias com ação antimitótica.
Todavia, a proporção dessas substâncias varia
consideravelmente entre os preparados. A validade e estabilidade
dos preparados são desconhecidas. O descuido em permitir
que o paciente vista-se antes da completa secagem da solução
pode espalhá-la em áreas vizinhas levando a uma
extensa área de irritação local. Sua absorção
em grandes quantidades pode ser tóxica para o coração,
rins e sistema nervoso.
Ácido
tricloroacético (ATA) a 80-90% em solução
alcoólica: aplicar pequena quantidade somente nos condilomas
e deixar secar, após o que a lesão assumirá
aspecto branco. Caso seja aplicada quantidade excessiva, pode-se
remover o excesso polvilhando talco ou bicarbonato de sódio.
Repetir semanalmente se necessário. O ATA é um agente
cáustico que promove destruição dos condilomas
pela coagulação química de seu conteúdo
protéico. Apesar de sua larga utilização,
não foi investigado exaustivamente. As soluções
de ATA são muito fluidas, comparáveis à água,
e podem se espalhar rapidamente, se aplicadas em excesso, causando
dano às áreas adjacentes às lesões.
Deve ser aplicada com cuidado, deixando-a secar antes mesmo do
paciente mudar sua posição, para que a solução
não "escorra" para outros locais. Se a dor for
intensa, o ácido pode ser neutralizado com sabão
ou bicarbonato de sódio. Este método poderá
ser usado durante a gestação, quando a área
lesionada não for muito extensa. Do contrario, este deverá
ser associado a exérese cirúrgica (ver item específico)
Eletrocauterização
ou Eletrocoagulação ou Eletrofulguração:
este método utiliza um eletrocautério para remover
ou fulgurar lesões isoladas. Exige equipamento específico
e anestesia local. Não se aplica nas lesões vaginais,
cervicais e anais, visto que o controle da profundidade do efeito
é difícil, podendo levar à necrose tecidual
extensa e estenose em estruturas tubulares, como canal anal e
vagina.
Criocauterização
ou Crioterapia ou Criocoagulação: este método
promove a destruição térmica por dispositivos
metálicos resfriados por CO2 (criocautérios). A
crioterapia depende de equipamento específico e elimina
as verrugas por induzir citólise térmica. É
útil quando há poucas lesões ou nas lesões
muito ceratinizadas e raramente necessita de anestesia. Pode ser
necessária mais de uma sessão terapêutica,
respeitando um intervalo de 1 a 2 semanas. Sua maior desvantagem
está em exigir razoável nível de treinamento
sem o qual os condilomas são freqüentemente tratados
excessivamente ou de forma insuficiente, resultando em diminuição
de sua eficácia e maior chance de complicações.
Apesar da anestesia local não ser necessária rotineiramente,
poderá facilitar o tratamento se existirem muitas lesões
ou uma extensa área envolvida.
Exérese
cirúrgica: é método apropriado para o tratamento
de poucas lesões a nível ambulatorial, especialmente
quando é desejável exame histopatológico
do espécime. A exérese cirúrgica têm
a vantagem de, assim como na eletrocauterização,
eliminar as lesões em apenas uma sessão de tratamento.
Todavia, é necessário treinamento, anestesia local
e equipamento específico, além de alongar o tempo
de consulta. Os condilomas podem ser retirados por meio de uma
incisão tangencial com tesoura delicada, bisturi ou cureta.
Como a maioria das lesões são exofíticas,
estes métodos resultam em uma ferida que envolve a porção
superficial da derme. A hemostasia pode ser obtida por eletrocoagulação.
Normalmente a sutura não é necessária. Esse
método traz maiores benefícios aos pacientes que
tenham grande número de lesões ou extensa área
acometida, ou ainda, em casos resistentes a outras formas de tratamento.
Lesões
vegetantes do colo uterino
Na presença de lesão vegetante no colo uterino deve-se
excluir a possibilidade de tratar-se de uma neoplasia intra-epitelial
antes de iniciar o tratamento. Estas pacientes devem ser referidas
a um serviço de colposcopia para diagnóstico diferencial
e tratamento.
Lesões
vaginais
ATA
a 80-90%: aplicar somente sobre as lesões. Deixar secar
antes de retirar o espéculo vaginal. Não aplicar
sobre área extensa em uma única sessão para
evitar estenose vaginal. Pode ser aplicado semanalmente, se necessário.
Para remoção do acido quando aplicado em excesso,
recomenda-se a aplicação de bicarbonato de sódio
ou talco.
Podofilina
10-25%: aplicar sobre as lesões e deixar secar antes de
retirar o espéculo. Tratar, no máximo, 2 cm2 por
sessão, repetindo a aplicação em intervalos
semanais, se necessário. Alguns especialistas são
contrários ao seu uso em lesões vaginais devido
aos seus efeitos tóxicos e à capacidade aumentada
de absorção vaginal. Não utilizar durante
a gestação.
Observação:
a crioterapia não se aplica para lesões vaginais,
em virtude do risco de perfuração vaginal e formação
de fístulas.
Lesões
no meato uretral
ATA
a 80-90%: aplicar somente sobre as lesões. Deixar secar
antes de permitir o contato da área tratada com a mucosa
normal. Não aplicar sobre área extensa em uma única
sessão para evitar estenose. Pode ser aplicado semanalmente,
se necessário. Para remoção do acido quando
aplicado em excesso, recomenda-se a aplicação de
bicarbonato de sódio ou talco.
Podofilina
10-25%: aplicar sobre as lesões e deixar secar antes de
permitir o contato da área tratada com a mucosa normal.
Pode ser aplicado semanalmente, se necessário. Não
utilizar durante a gestação.
Lesões
anais
ATA
a 80-90%. Aplicar somente sobre as lesões. Deixar secar
antes de permitir o contato da área tratada com a mucosa
normal. Não aplicar sobre área extensa em uma única
sessão para evitar estenose. Pode ser aplicado semanalmente,
se necessário. Para remoção do acido quando
aplicado em excesso, recomenda-se a aplicação de
bicarbonato de sódio ou talco.
Exérese
cirúrgica.
Observação:
a conduta frente a lesões em mucosa anal deve ser decidida
por um especialista.
Lesões
orais
Exérese
cirúrgica.
SEGUIMENTO
Após o desaparecimento dos condilomas, não é
necessário controle. Os pacientes devem ser notificados da
possibilidades de recorrência, que freqüentemente ocorre
nos três primeiros meses. Como não se conhece a sensibilidade
e a especificidade do auto-diagnóstico, os pacientes devem
ser examinados três meses após o final do tratamento.
Novos exames em intervalos menores, podem ser úteis para:
documentar
a inexistência de condilomas;
controlar
ou tratar complicações do tratamento; e
reforçar
a orientação e aconselhamento quanto à prevenção
do HIV e de outras DST.
As
mulheres devem ser aconselhadas quanto à necessidade de submeterem-se
ao rastreio de doenças pré-invasivas do colo uterino,
na mesma freqüência que as mulheres não contaminadas
pelo HPV. A presença de condilomas genitais sem lesão
macroscópica cervical ou suspeita colpocitológica
(Papanicolaou) de lesão pré-invasiva, não é
indicação para colposcopia.
As mulheres tratadas por lesões cervicais devem ser seguidas
de rotina após tratamento pelo exame ginecológico
e citologia oncótica a cada 3 meses, por 6 meses; em seguida,
a cada 6 meses, por 12 meses e após este período,
anualmente, se não houver evidência de recorrência.
CONDUTA PARA PARCEIROS SEXUAIS
O exame dos parceiros sexuais não tem utilidade prática
para o manejo dos condilomas, porque o papel da reinfecção
na persistência ou recidiva de lesões é mínimo,
ainda que na ausência de tratamento que erradique o vírus.
Sendo assim, o tratamento do parceiro com objetivo de reduzir sua
transmissão, não é necessário. Todavia,
como o auto-exame tem valor desconhecido, os parceiros sexuais de
pacientes com condilomas devem ser buscados, uma vez que poderão
se beneficiar de exame médico para avaliação
da presença de condilomas não suspeitados, ou de outras
DST. Esses parceiros também podem ser beneficiados pela orientação
quanto às implicações de terem um parceiro
sexual portador de condiloma, especialmente no caso das mulheres,
ou seja, as parceiras devem ser aconselhadas a submeterem-se regularmente
ao rastreio de doenças pré-invasivas do colo uterino,
como qualquer mulher sexualmente ativa. Como o tratamento de condilomas
não elimina o HPV, os pacientes e seus parceiros devem ser
cientificados de que podem ser infectantes, mesmo na ausência
de lesões visíveis. O uso de preservativos pode reduzir,
mas não eliminar, o risco de transmissão para parceiros
não contaminados.
GESTANTES
Na gestação, as lesões condilomatosas poderão
atingir grandes proporções, seja pelo aumento da vascularização,
seja pelas alterações hormonais e imunológicas
que ocorrem neste período.
Como as lesões durante a gestação podem proliferar
e tornar-se friáveis, muitos especialistas indicam a sua
remoção nesta fase.
Os tipos 6 e 11 podem causar papilomatose laringeal em recém-nascidos
e crianças.
Não se sabe, até o momento, se a via de transmissão
é transplacentária, perinatal ou pós-natal.
Não está estabelecido o valor preventivo da operação
cesariana; portanto, esta não deve ser realizada baseando-se
apenas na prevenção da transmissão do HPV para
o recém-nascido. Apenas em raros casos, quando as lesões
estão causando obstrução do canal de parto,
ou quando o parto vaginal possa ocasionar sangramento excessivo,
a operação cesariana poderá ser indicada.
A escolha do tratamento vai se basear no tamanho e número
das lesões:
Nunca
usar Podofilina durante qualquer fase da gravidez.
Lesões
pequenas, isoladas e externas: eletro ou criocauterização
em qualquer fase da gravidez.
Lesões
grandes e externas: ressecção com eletrocautério
ou cirurgia de alta freqüência ou exérese por
alça diatérmica ou LEEP (Loop Excison Electrosurgical
Procedure), em qualquer fase da gravidez. Pode resultar em sangramento
importante e deve restringir-se à lesão propriamente
dita, além de limitar-se ao uso por profissional habilitado.
Lesões
pequenas, colo, vagina e vulva: eletro ou criocauterização,
apenas a partir do 2º trimestre.
Se
o tamanho e localização das lesões forem
suficientes para provocar obstrução e/ou hemorragias
vaginais, deve-se indicar o parto cesáreo.
Embora
os tipos 6 e 11 possam causar papilomatose laríngea em
crianças, o risco da infecção nasofaríngea
no feto é tão baixa que não se justifica
a indicação eletiva de parto cesáreo.
Mulheres
com condilomatose durante a gravidez deverão ser seguidas
com citologia oncológica após o parto.
PORTADORES DO HIV
Pessoas imunossuprimidas em decorrência da infecção
pelo HIV, ou por outras razões, podem não responder
ao tratamento para o HPV como as imunocompetentes e podem acontecer
recidivas mais freqüentes. O carcinoma escamoso pode surgir
mais freqüentemente em imunossuprimidos, valorizando a biópsia
de lesões neste grupo de pacientes. O tratamento para esses
pacientes, deve basear-se nos mesmos princípios referidos
para os HIV negativos.
NEOPLASIAS INTRAEPITELIAIS DE ALTO GRAU
Pacientes com lesões intraepiteliais de alto grau (High Grade
Squamous Intraepithelial Lesion - HSIL) ou displasias moderada ou
acentuada, ou carcinoma in situ NIC II ou NIC III, devem ser referidos
a serviço especializado para confirmação diagnóstica,
afastar possibilidade de carcinoma invasivo e realização
de tratamento especializado. Os tratamentos ablativos são
efetivos mas o controle pós-tratamento é importante.
O risco destas lesões progredirem para carcinoma invasivo
em pacientes imunocompetentes, após tratamento efetivo, é
muito baixo.
INFECÇÃO SUBCLÍNICA PELO HPV NA GENITÁLIA
(SEM LESÃO MACROSCÓPICA)
A infecção subclínica pelo HPV é mais
freqüente do que as lesões macroscópicas, tanto
em homens quanto em mulheres. O diagnóstico, quase sempre,
ocorre de forma indireta pela observação de áreas
que se tornam brancas após aplicação do ácido
acético sob visão colposcópica ou outras técnicas
de magnificação, e que, biopsiadas, apresentam alterações
citológicas compatíveis com infecção
pelo HPV. Podem ser encontradas em qualquer local da genitália
masculina ou feminina. Todavia, a aplicação de técnicas
de magnificação e uso do ácido acético
exclusivamente para rastreio da infecção subclínica
pelo HPV não é recomendável. A reação
ao ácido acético não é um indicador
específico da infecção pelo HPV e, desta forma,
muitos testes falso-positivos podem ser encontrados em populações
de baixo risco. Em situações especiais, alguns clínicos
acham este teste útil para identificar lesões planas
pelo HPV.
Na ausência de neoplasia intra-epitelial, não é
recomendável tratar as lesões subclínicas pelo
HPV diagnosticadas por colpocitologia, colposcopia, biópsia,
testes com ácido acético ou testes de identificação
do DNA viral. Freqüentemente seu diagnóstico é
questionável, e nenhuma terapia foi capaz de erradicar o
vírus. O HPV foi identificado em áreas adjacentes
a neoplasias intra-epiteliais tratadas por laser e vaporizadas,
com o objetivo de eliminar a infecção.
Na presença de neoplasia intra-epitelial, o paciente deve
ser referido a serviço especializado e o tratamento será
feito em função do grau da doença.
Não existe um teste simples e prático para detectar
a infecção subclínica pelo HPV. O uso de preservativos
pode reduzir a chance de transmissão do HPV para parceiros
provavelmente não infectados (novos parceiros). Não
se sabe se a contagiosidade desta forma de infecção
é igual à das lesões exofíticas.
RASTREIO DE CÂNCER CÉRVICO-UTERINO PARA MULHERES
QUE TÊM OU TIVERAM DST
Mulheres com história ou portadoras de DST apresentam risco
maior para câncer cérvico-uterino e para outros fatores
que aumentam este risco, como a infecção pelo HPV.
Estudos de prevalência mostram que as lesões precursoras
do câncer cérvico-uterino são cinco vezes mais
freqüentes em mulheres portadoras de DST do que naquelas que
procuram outros serviços médicos, como, por exemplo,
para planejamento familiar.
A colpocitologia oncótica ("preventivo" ou exame
de Papanicolaou) é um teste efetivo e de baixo custo para
rastreio do câncer cérvico-uterino e de seus precursores.3
Apesar do consenso brasileiro que recomenda a realização
da colpocitologia a cada três anos após duas colpocitologias
consecutivas negativas com intervalo de um ano em mulheres sexualmente
ativas, é razoável que mulheres portadoras de DST
sejam submetidas à colpocitologia mais freqüentemente
pelo seu maior risco de serem portadoras de câncer cérvico-uterino
ou de seus precursores. Esta recomendação é
reforçada por dados obtidos em inquéritos e que mostraram
que estas mulheres não compreendem a real importância
da colpocitologia e que, muitas vezes, acreditavam terem sido submetidas
a este exame quando haviam sido apenas submetidas ao exame ginecológico
(toque bimanual).